domingo, 1 de dezembro de 2013

Um filme para dar sangue

Ontem fui dar sangue. Não estava à espera de poder ir porque trabalhava até à hora em que os senhores estariam na escola da terrinha a fazer as colheitas, por isso já nem pensava mais no assunto. Mas depois saí mais cedo e lá fui eu com o meu pai. E é aqui que começa o filme. Quando falei com o médico ele perguntou se tinha perdido peso recentemente e eu disse que sim, mas que ainda estava perto dos 51kg. Perguntou-me se isso era o peso com roupa e quanto é que pesava nua. Olha-me essa, eu é que sei quanto é que peso nua! Não ando propriamente a despir-me antes de me pesar! Depois fui até uma senhora para ela me dar a picada no dedo e, quando me mandou para trás para ir comer qualquer coisa, o meu pai ficou junto dela e ao que parece ficaram todos muito admirados por eu ter tomado o pequeno almoço às 7h da manhã (eram 11h), como se fosse uma coisa do outro mundo. Eu trabalho, entro às 7h, havia de tomar o pequeno almoço quando? Mas adiante, lá fui comer, voltei e chamaram-me. A enfermeira que me chamou olha para mim de cima a baixo, perguntou-me novamente o peso e começa o momento constrangedor. Começam a cochichar uns com os outros, porque a menina diz que pesa 51kgs, mas não sabe quanto pesa sem roupa, e agora?... foram buscar uma balança! Uma balança, no meio daquela gente toda, tudo pessoas da minha terrinha, tudo a olhar como se eu fosse um ser do outro mundo. Era neste momento que, tivesse eu uma qualquer perturbação alimentar ou problemas com a minha imagem corporal, saía a correr ou desmaiava de pânico. Mas não tenho, felizmente, por isso lá me pesei. A balança estava obviamente descontrolada porque apontava 40kgs e estava sempre a "comer" uns quantos kgs de cada tentativa de pesagem, de pessoas diferentes. Lá me sentei para dar sangue, a enfermeira ainda muito nervosa, volta para trás para expor o caso a uma enfermeira mais velha e eu já só pensava que tinha ido para nada porque não me iam deixar dar sangue. Volta e eu disse-lhe que se ela achasse melhor não dar, não havia problema. Também não queria morrer ali, por muito altruísta que isso me fizesse parecer, não é? Disse-me que estaria mais confortável se soubesse o meu peso exato, coisa que não ia acontecer tendo em conta aquela balança cócó, e que para a próxima devia tentar saber o meu peso (nua, não é?) antes da colheita.  Mas disse que podia dar, debitou um montão de recomendações e quase me fez jurar que chamaria alguém se não me sentisse bem. 

Como se isto não fosse já constrangedor que chegasse, com toda a gente a olhar para mim com cara de "coitadinha, é tão pequenina", eu demoro sempre imenso tempo a encher o raio do saquinho. O meu pai foi depois de mim e ainda saiu primeiro. Depois de encher o saco também estive mais tempo do que as outras pessoas lá em repouso, o que me fez parecer uma inválida, mas sempre fui encontrando pessoas que já não via há muito tempo e fui pondo a conversa em dia. E toda a gente com quem me cruzei fez questão de me relembrar o quão magra eu estou (o que é mentira; claramente exagerado, estou normal), como estou diferente, já nem te reconhecia, se não te visse a falar com o teu pai!. As pessoas são tão exageradas. Foi um filme do caraças, tudo isto para dar sangue, um procedimento tão simples. Saí de lá a sentir-me mesmo constrangida. 

Um comentário:

  1. Eu também demoro sempre imenso tempo a encher o saquinho, 15/20 min à vontade... Das últimas vezes que tentei dar sangue não tinha peso suficiente, ainda tentei dizer que pesava 'quase' 50kg mas não pegou, foram buscar uma balança e pesei-me e apontava os 47kg. Mas isto foi feito na consulta com a médica, sem olhares indiscretos... Beijinho

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