segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Eu nunca fui daquelas crianças que não sabem o valor das coisas e que pedem tudo aos pais, sempre fui ensinada que as coisas custam dinheiro e que o dinheiro custa a ganhar e que, por isso, não podemos ter tudo. Aprendi a esperar pelos momentos mais oportunos, aprendi que nada nos cai do céu e que não podemos simplesmente esperar poder ter o que quisermos, quando quisermos. 
Quando fui viver "sozinha", consolidei ainda mais este princípio. Ter que gerir pouco dinheiro para uma infinidade de despesas não é fácil. Passei a dar ainda mais valor às coisas, a estar mais atenta a preços, a saber esperar por melhores oportunidades mas, principalmente, a dar valor aos meus pais. Penso muitas vezes como é que são capazes de fazer tanta coisa com o pouco que ganham. E acho-os incríveis por isso. Estou a tirar um curso à custa deles e tenho carta à custa deles, coisas que nem todas as pessoas podem gabar-se de ter. Sei que sou uma privilegiada, mesmo dentro de todas as limitações, porque há quem não tenha a sorte de ter pais a financiar este tipo de coisas "básicas" e que tenha que trabalhar para as conseguir. Mas os meus pais facilitaram-me esse trabalho, deram-me o que podiam e como podiam, e sei que tenho muita sorte nesse sentido.

Agora que trabalho, dou ainda mais valor a isto tudo. Sei que para ganhar meia dúzia de tostões tenho que penar muito. Muitas horas de pé, muito tempo despendido e que podia estar a ser utilizado para a faculdade, para mim, muitas queimaduras nas mãos, muitas dores nas pernas e nas costas e nos pés. Mas saber que aquele dinheiro foi conquistado com o meu trabalho tem todo um outro valor. É algo que me orgulha, porque nunca fiz nada do género, tenho-me saído bem e, principalmente, ajudo os meus pais, tirando-lhes dos ombros um bocadinho do peso que eu própria lhes pus. E é isto que me faz continuar, é isto que me leva a não pensar no cansaço e a agradecer a oportunidade, porque assim já não me sinto um fardo tão grande e sinto-me útil. E, claro, ter algum dinheirinho no bolso sabe sempre bem. 

6 comentários:

  1. Esses valores são de louvar! :)

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  2. Ainda não trabalho, mas revejo-me totalmente nos 2 primeiros parágrafos. Foi essa a educação que tive, o exemplo que sempre tive. Também eu tenho essa sorte de poder ter essas coisas pagas pelos meus pais. E sei o esforço que têm que fazer para nos poderem dar tudo isto...

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  3. Quando comecei a trabalhar dava por mim a pensar nos preços das coisas em relação ao nº de horas que tinha de trabalhar para ganhar esse valor. Também nunca fui de esbanjar dinheiro, não foi essa a minha educação, e quando se começa a trabalhar e o esforço vem de nós, sem dúvida que damos mais valor e aprendemos a gerir melhor (temos de aprender).

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    1. também penso nas coisas em termos de horas de trabalho :) tipo "tenho que trabalhar 12h para poder comprar isto!! nem pensar!" :)

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  4. Também fui uma criança como tu... e ainda hoje não sou pessoa de exigir o que quer que seja dos meus pais. Ao contrário de ti, os meus avós maternos têm contribuído imenso para me dar a mim e à minha irmã, aquilo que os meus pais não conseguiriam dar, pelo menos com a rapidez com que eles nos deram: o traje académico e a carta. Fora mil e uma coisas que estão constantemente a ajudar. A eles devo-lhe imenso: desde a minha criação, até aos 3 anos, à ajuda que estão sempre prontos a dar nestes últimos tempos.
    E agradeço aos meus pais por me terem incutido hábitos saudáveis de gerir o dinheiro. E, um dia, espero fazê-lo também aos meus filhos.

    Em relação ao valor que passamos a dar assim que somos nós a ganhar o nosso próprio dinheiro, também já experienciei isso por três vezes. E este ano, meti parte dos ordenados do trabalho de verão para uma conta poupança, e posso dizer que ainda tenho uma parte do mês de setembro [o último a trabalhar] na conta à ordem. Custou-me naqueles dias tórridos de verão estar fechada numa sala, mas agora sabe-me pela vida ver a conta composta com algum e saber que fui eu quem o ganhou. Para não falar que agora quando chegar o Natal, puder oferecer ao D. uma prenda mais dispendiosa, sem ter que pedir ajuda aos meus pais.

    Que tudo corra bem com o teu trabalho :) ***
    [dsc o testamento :p]

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  5. A educação que temos é mesmo muito importantes. Agradeço imenso aos meus pais por isso... Neste aspecto, principalmente à minha mãe, porque vivia com ela e aquelas coisas imediatas era a ela que as pedia e era ela quem mas negava. Em algumas coisas, ela exagerava (como quando me deu uma prancha da Barbie 3 ou 4 anos depois de eu a ter pedido, ou seja, já não fazia sentido nenhum xD), mas a verdade é que me ajuda a valorizar o que tenho. Agora que, tal como tu, vivo "sozinha", também sei gerir tudo mais facilmente por causa disso mesmo. Durante anos e anos, a minha mãe nunca me deixou gastar o dinheiro que me davam nos anos e no Natal. Eu, criança, queria comprar porcarias com esse dinheiro, é verdade... E ela metia-o sempre no banco. Resultado: consegui comprar um carro (um bom carro, para primeiro carro) com esse dinheiro! O problema é que muita gente não sabe dar o valor a isto, porque tudo lhe caiu do céu. Só espero conseguir transmitir o mesmo aos meus filhos!

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