quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Costumo pensar em mim como uma pessoa expressiva, impulsiva até, na demonstração do que sinto. Demorei muito tempo a (tentar) controlar aquilo que expresso e que deito para fora, porque percebi com o tempo que não podemos simplesmente dizer o que nos vai na cabeça a toda a hora, principalmente em determinados contextos ou com algumas pessoas. Contudo, continuo a ser daquelas pessoas cujas palavras saem do corpo como que com vontade própria, seja a falar ou a escrever, num desespero de sentir, de falar, de mostrar, de tocar (n)o outro. E é precisamente por ter esta vontade quase incontrolável de dizer aquilo que vai cá dentro que não consigo perceber quem não o faz. Ou melhor, consigo perceber mas custa-me. Custa-me que alguém não consiga simplesmente dizer o que sente sem estar com grandes dramatismos, sem que seja preciso puxar-lhes as palavras a ferros. Custa-me o silêncio quando preciso de respostas, de perguntas, de explicações, de certezas. Custam-me as meias palavras, as meias conversas, as meias verdades e meios sentimentos. Não gosto de nada pela metade. 
Eu preciso de palavras, quase tanto como de gestos. Preciso de saber, de ouvir, de ver, de sentir. Preciso com uma urgência quase gritante de ver no outro a minha facilidade de expressão, a minha propensão para pôr em palavras e atos aquilo que sinto. E às vezes é frustrante. Mas que seja sempre assim, não quero mudar. Quero ser sempre esta pessoa que diz o que pensa, que não tem medo de mostrar afetos, sejam eles de que natureza for, pelo medo da rejeição ou de cair no ridículo. Quero ser sempre aquela que se dedica aos abraços, à escrita e às conversas; quero ter sempre assunto para conversas. Como o meu pai costuma dizer, "difícil é fazê-la calar!". E que sempre assim seja.

3 comentários:

  1. Gosto de pessoas que irradiam emoções. <3

    ResponderExcluir
  2. És assim, sentes-te bem assim, portanto não há que mudar! Eu sou um bocadinho o oposto. Não considero que seja pela metade, mas não sou de muitas palavras, é verdade. São poucas as pessoas com quem falo, falo e falo e exprimo tudo sem rodeios. No geral sou mais introvertida, sinto-me melhor a escrever, por exemplo, do que a falar. Mas é assim que o mundo se equilibra. É preciso bons oradores, mas sem bons ouvintes seria uma bela de uma confusão! :) Portanto, continua a ser como és!

    ResponderExcluir
  3. Revejo-me neste texto! É complicado aceitar que às vezes não nos queiram dar respostas que queremos muito ouvir ou que não nos digam tudo aquilo que precisamos para nos sentirmos bem!

    ResponderExcluir