domingo, 8 de maio de 2011

O ano

No início do meu ano de caloiro, disseram-me que este seria o melhor ano da minha vida, enquanto praxista, pelo menos. E eu, burrinha, achava "Claro que sim, então não? Andar aqui a fazer figurinhas vai ser mesmo o ano da minha vida". 
Burra burra burra. Ingénua, é mais isso. É tão fácil não acreditar nestas coisas, quando não sabemos o que nos espera.
Quando me diziam, "berrem essa merda com orgulho", eu só pensava "mas como é que eu vou ter orgulho num edifício??" . Já para nem mencionar o que falavam da t-shirt de caloiro. Como é que uma t-shirt maior do que eu, toda badalhoca e mal cheirosa, podia alguma vez ser melhor do que um traje? 
Mas agora que já vesti um traje pela primeira vez, penso "ai a minha rica t-shirt! tão confortável, tão fresca".  Tentei nem pensar muito no dia em que a vesti pela última vez.
O dia em que tive que dar o meu cadastro foi muito triste. Nunca pensei que pudesse sentir tanta falta de algo tão "vulgar". A verdade é que me custou muito.
Hoje, após ter vivido a minha primeira semana da Queima e todas aquelas actividades praxisticas importantes, posso dizer que se calhar tinham razão. Se calhar não vai mesmo haver ano melhor do que este. Os que se seguem podem trazer coisas igualmente boas, novas experiências, novas pessoas, novas aprendizagens. Mas este, este foi o primeiro. Foi neste ano que conheci pessoas que, espero eu, me vão acompanhar pra vida. Foi neste ano que fiz as figuras que nunca pensei fazer, com um sorriso na cara e toda contente. Foi neste ano que descobri que não sou tão fraquinha como pensava, que dentro de mim mora alguém mais superior do que os medos irracionais e o politicamente correcto. 
Este ano, o meu ano, vai ser para mim sempre o melhor. Porque foi aquele onde eu aprendi tantas coisas! Porque foi aquele que me trouxe todos estes momentos bons, as pessoas, as memórias. Trouxe-me as noites sem dormir, os dias de dores de garganta sem voz, as noites em casa da C., as conversas parvas, as incumbências "impossíveis" de realizar, os momentos lamechas com a madrinha, a choradeira por tudo e por nada. Não estou arrependida de nada do que fiz, porque sei que dei o meu melhor. 
Agora, nova etapa se aproxima e com ela coisas novas para viver, para aprender. 
E quando me diziam "a Praxe são as pessoas", eu já acreditava, mas agora tenho ainda mais certeza: a praxe traz-nos as pessoas. E estou muito contente com isso. 

8 comentários:

  1. é bem verdade, o primeiro ano é sempre o que marca mais. mas se sentires orgulho em vestir o teu traje, apesar de ser mt quente no verão e mt frio no inverno, vai saber ainda melhor :)

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  2. Eu ainda só vou viver isso para o ano, mas felizmente nunca duvidei quando me disseram isso, agora não espero ficar decepcionada :)

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  3. é fantástico, não é? Para o ano é o meu último ano e já estou com saudades de tudo.

    Querida, em cada ano vais descobrir coisas novas, independentemente do primeiro ano. :) acredita.

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  4. Claramente, os laços entre os praxistas e praxados são fortes. Eu não ligo a essas coisas, mas reconheço.

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  5. Eu posso dizer que uso o traje orgulhosamente e honro toda a tradição académica, que respeito e amo de paixão! :D

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  6. O meu ano de caloira foi muito bom, inesquecível mesmo. A mim quando me diziam aproveita que este vai ser o melhor ano da tua vida, levei mesmo a coisa à seria e hoje, olhando para tras, sei que nao podia ter feito ou aproveitado mais ( nem passados quatro anos me ocorre pensar que podia ter feito outras coisas jajajaj). Quando ao melhor ano, concordo que é o melhor ano da vida académica, mas depois há outros anos muito melhores fora da universidade, sair da casa dos pais, ir para fora, tudo....

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  7. Para o ano é o meu ultimo ano (5º ano de faculdade) e todos os anos penso 'bolas, o 1º foi o melhor' ;)

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