sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Booklovers going crazy



Como pessoa apreciadora de livros e que adora comprar livros, Londres teve um encanto especial para mim. Passamos à porta de imensas lojas que vendiam livros em segunda mão! Tantos clássicos a 1 libra, tantos livros velhos mas com ar novo para descobrir, mas como fomos com pouco tempo para tudo o que queríamos fazer, acabamos por não explorar estas pequenas lojas. A surpresa maior estava por vir.

Enquanto parámos para comer qualquer coisa numa rua próxima do Museu de História Natural, vimos uma livraria toda pipi. O meu namorado queria entrar, eu avisei logo que era perda de tempo porque devia ser tudo caro (então comparado com os livros em segunda mão que já tínhamos visto...), mas ele lá insistiu. Logo à entrada, estava um pequeno expositor com livros de bolso com uma edição que eu já conhecia de ver no Book Depository. Jane Austen a 1 libra? I'm in! Começo a ficar entusiasmada, exploro o resto da livraria e encontro mais livros da Jane Austen por preços ridículos. Para terem noção, comprei dois livros cada um por menos de 5 libras, que cá estão na minha lista há meses por custarem 20€ cada um. Fiquei histérica. O problema desta livraria é que depois eu queria trazer tudo e não havia espaço na mala. Portanto só trouxemos 5 livros. Eu digo "só" porque ficaram muitos para trás, mas a menina que fez a minha conta até arregalou os olhos quando viu o que levávamos. Comecei a meter conversa com ela e perguntei como conseguem aqueles preços, ao passo que ela ficou estupefacta por os livros serem tão caros em Portugal e não compreende como é que temos dinheiro para ler. Pois, a questão é mesmo essa: não temos e não lemos. Ler, no nosso país, é um pequeno luxo. Mesmo em promoção, os livros são coisas caras e nem toda a gente tem bibliotecas por perto. Sem contar que as bibliotecas nem sempre têm aquilo que queremos ler, temos que renovar empréstimos de livros de x em x tempo, temos que lá ir de propósito e esperar que tenha o livro que queremos. Não é fácil. Consegue-se, mas é um transtorno. Falando por mim, que já li muitos livros emprestados e de requisições de bibliotecas várias, é um desgosto ler um livro que adoro e não poder ficar com ele. Já acabei a comprar livros que já li só para os ter.  Eu gosto de comprar livros e gosto de ver a coleção crescer. Quero ter a minha própria mini biblioteca, dá-me prazer olhar para as estantes cheias, saber que aquilo é meu. Tenho pena de não poder comprar mais, mas a estes preços... Vou começar a fazer mais encomendas pelo Book Depository. Da próxima vez que for a Londres, porque havemos de voltar, levo uma mala vazia só para trazer livros! Fica a dica para os amantes de leituras que pretendam viajar para Londres no futuro.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

#goals

O meu desejo para este 2019 é que as pessoas comecem a atender os telefones. Qual é o objetivo das empresas/serviços anunciarem os seus números de telefone se depois nunca atendem?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Como sabemos que vivemos numa terriola?

A nossa viagem a Londres deu muito que falar. Eu não estive cá na semana imediatamente a seguir para sentir na pele estas repercussões, mas a minha família esteve e, acreditem, deu mesmo que falar. O meu pai, meio a sério, meio a brincar, diz que nunca se sentiu tão importante. TODA a gente falou da porcaria da viagem. Perguntaram no trabalho da minha mãe se era mesmo verdade que ela tinha ido a Londres, insinuando que ela deve ser rica para poder fazer tal coisa. Todos os dias alguém lhe perguntou alguma coisa da viagem. O meu irmão deixou o carro estacionado perto de casa (é uma zona difícil para arranjar estacionamento) e houve quem se fosse queixar de o carro ter estado no mesmo sítio (perfeitamente bem estacionado, tudo legal) durante 5 dias. Aliás, o meu irmão perdeu o emprego, na sequência da viagem. Juro! Não se falou noutra coisa durante a primeira semana de Janeiro. Isto é que é ser importante, digam lá? A pessoa faz uma coisa super normal e é logo um sururu, que devemos estar cheios de dinheiro, que gente chique, que mania que são bons, porque foram passar as férias de Natal fora. Nunca imaginei semelhante. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

E não é que fomos a Londres?

Pois é gente, aqui a menina da parvónia fez a sua primeira viagem internacional a passeio e levou a família toda atrás. Foi a nossa primeira viagem de família para o exterior e estávamos todos ansiosos. Até porque a espera foi longa - marcamos em Junho e só fomos em Dezembro! Mas vamos lá ao que importa:

Saímos no dia 27 ao meio dia e, depois de atrasos, avião, estarmos meio perdidos no aeroporto de Gatwick e muita fome, acabamos o dia no Burger King e diretos para o hotel. Resolvemos ir para a cama cedo para ao outro dia acordarmos com as galinhas e começar a nossa aventura. Tivemos apenas 3 dias completos para conhecer a cidade, sem contar com os dias de chegada e partida, que basicamente não fizemos nada. 

No dia 28, primeiro dia completo, saímos cedo e seguimos logo rumo ao estádio do Arsenal. Deixem-me contar-vos uma coisa: quando se viaja com gajos, eles vão sempre querer fazer a tour dos estádios. É a cena deles, tudo bem. A seguir fomos tirar a tão famosa foto na Plataforma 9 3/4 (que aventura!) e rumamos a Camden Town, onde almoçamos uma pizza maravilhosa. Deu ainda para comprar uns souvenirs e ficou a manhã feita. Depois do almoço ainda visitamos a loja dos M&M's (que é gigante - eu pensava que era só aquele primeiro piso), fomos a Piccadilly, a Chinatown, à loja do Sherlock Holmes e fechamos o dia no Madame Tussauds. As filas funcionam super bem, não esperamos tanto tempo quanto eu imaginava que íamos esperar e toda a gente adorou! Acho que é uma experiência que vale mesmo a pena. Os bilhetes não são lá muito baratos, mas todos nós nos divertimos imenso.




No dia 29, saímos do hotel igualmente cedo e visitamos Abbey Road (dispensável) e o mercado de Portobello. Não achamos que valesse a pena a visita, já que o mercado em Camden Town é mil vezes mais giro, mais interessante e menos deslocalizado.  Nesse dia ainda vimos o estádio do Fulham, que valeu pelo parque giríssimo que temos que atravessar para chegar lá. Nesse dia de manhã tínhamos visto um esquilo perto do caixotes do lixo do nosso hotel, mas neste parque é que tivemos a verdadeira experiência de ver esquilos. Eram imensos e todos fofíssimos. Andamos imenso, mas nada nos  (os) demoveu de vermos o estádio do Chelsea. No início da tarde, almoçamos umas sandes na rua antes de irmos ver o Museu de História Natural. Este foi, para mim, o primeiro momento em que me caiu a ficha de "Uau, eu estou em Londres!". Quando vi o Museu, caiu-me tudo (quase que caiu uma lagriminha também). Como estivemos a fazer as coisas menos óbvias no dia anterior e guardamos as coisas mais turísticas (e aguardadas) para meio deste dia e para o dia seguinte, na verdade ainda não tinha dado aquela coisa de estarmos ali. O Museu é gigante e muito muito giro, mas não é a melhor coisa para visitar com pessoas que não pescam nada de inglês. Como estávamos relativamente perto, ainda fomos a Hyde Park porque estávamos todos entusiasmadíssimos com o Winter Wonderland (um festival de Inverno, que fazem de Novembro a início de Janeiro com coisas de Natal, diversões e montes de barraquinhas de comida). Aquilo de noite é mágico! 



No dia 30, o nosso último dia completo na cidade, fomos fazer as coisas turísticas mais giras. Vimos a troca de guarda no Palácio de Buckingham (que demora cerca de 45min - pensei que era uma coisa mais rápida e menos txanan. Tem música e tudo) e tive sorte de conseguir um lugarzinho onde se via alguma coisa. Aquilo enche! Depois seguimos para ver Westminster Abbey (lindo de morrer!), o que será a torre onde está o Big Ben (ainda em obras), o London Eye (maravilhoso!) e Tower Bridge. Este foi o meu dia preferido, apesar de ser o último, porque foi aquele onde deu para vermos as coisas que nos atraíram a Londres em primeiro lugar. Voltamos a Hyde Park para almoçar no Winter Wonderland (só tinha comida alemã - cachorros e cerveja) e, no final do dia, demos uma saltinho à Primark, que se os gajos podem ver os estádios, as gajas podem ver as lojas! Na Primark confesso que deu aquele apertozinho por não termos espaço para levar nada nas malas. São gigantes, têm imensas coisas diferentes do que há cá e tudo a preços loucos. Nesse dia, em vez de irmos de metro para o hotel, aproveitamos para ir de autocarro e ver mais coisas da cidade. 


No dia 31, tínhamos voo às 9h30, portanto tivemos que acordar cedo e sair do hotel às 6h. O senhor que nos levou foi super fixe e chegamos a horas. O aeroporto é menos confuso do que pensamos e correu tudo dentro da normalidade.


Balanço da viagem

Correu tão bem que, no dia em que voltamos para casa, já eu queria comprar outra viagem! Isto só custa começar, depois é sempre a abrir. Foram 5 dias de muito cansaço e de muitas dores nos pés, mas valeu cada minuto. Os ingleses são todos muito simpáticos e prestáveis, ao contrário do que li pela internet antes de ir. Encontramos duas pessoas que nos ajudaram imenso. Além de que o humor inglês é uma coisa digna de registo. Eu adorei! Sinto que três dias completos é pouco tempo para ver tudo. Se não tivéssemos feito a tour dos estádios dava para encaixar outras coisas mais interessantes para mim, mas até não desgostei e faz parte. Todos vimos coisas que gostamos. Embora tenhamos ido numa altura de muita gente como é o Natal e final de ano, não senti que estivesse tudo a abarrotar nem que demorássemos muito a ver as coisas. Senti um movimento normal de uma grande cidade, cheia de pessoas diferentes, uma mistura de culturas como nunca tinha visto e que me fez chegar à terrinha e questionar-me como é que agora ia conseguir viver nesta pasmaceira. Foi mesmo mesmo bom! A parte boa de não ter dado para ver tudo o que queríamos é que vamos ter que voltar. Eu e o L. decidimos logo que havemos de lá ir mais uma vez, ver/fazer o que não conseguimos desta vez. A experiência de viajar com os meus pais e o meu irmão foi muito engraçada porque sei que, de outra forma, eles nunca teriam vivido nada do género e eles estavam super contentes e super "como é que eu estou aqui??". Mas também foi muito cansativo, como viajar em casal com três filhos. Não sabem ler nem falar inglês, portanto tínhamos que andar sempre atentos a que não se perdessem, a que estivessem sempre juntos, se estavam bem, se queriam parar, se tinham fome... Jurei para nunca mais, mas já mudei de ideias entretanto. 

Dicas

Achamos que conseguimos encaixar muitas coisas em poucos dias porque fizemos um plano detalhado do que queríamos ver e conseguimos agrupar as coisas por proximidades. Esta preparação é algo que faremos de novo em próximas viagens. 

Uma coisa que ajudou imenso é a aplicação Citymaper. Conseguíamos sempre ver como seria mais fácil ir de um ponto a outro, com diferentes formas de transporte, tempo que iríamos demorar, qual o número do autocarro, quanto tempo até ao próximo metro... Até dizia quantas calorias gastaríamos de quiséssemos ir de um sítio a outro a pé! 

Comprar bilhetes para as atrações pretendidas com antecedência também é sempre uma boa ideia. No nosso caso, só quisemos entrar no Madame Tussauds, mas existem até pacotes com combinações de atrações e ficam por preços mais baratinhos. 

Para andar de transportes em Londres, há que comprar o Oyster card. O valor é de 5 libras e é reembolsável. Pela internet fora sempre vi pessoas a dizer que a melhor solução é pagar para 3 ou 5 dias, conforme a estadia, mas o L. viu não sei onde que a melhor forma seria carregar 10 libras a cada dia, porque só debitam o máximo de 6.80 libras por dia, independentemente das viagens que façamos. Isso significa que houve um dia em que só carregamos 5 libras e chegou, ficando mais barato do que adquirir viagens para 3 dias seguidos. 

Se são do tipo viagens Low cost e não se importam nada de comer qualquer coisa pelo caminho, façam-no. É bastante caro almoçar e jantar em restaurantes. O café é uma porcaria e custa sempre de 2 libras para cima. 

Os livros em Inglaterra são estupidamente baratos quando comparamos aos preços dos livros cá. Também há imensas lojas que vendem livros em segunda mão a uma libra, grandes clássicos, livros em excelentes condições. Se gostam de ler e ler em inglês não é um problema, levem espaço na mala! Eu queria trazer tudo mas não havia espaço.

É com estas dicas que termino este post já enorme. Ficou muita coisa pro ver e por fazer, mas não hão de faltar oportunidades para regressar! Ia já outra vez...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Como a pessoa muda...

Ontem fui com os meus pais ao centro comercial. Estava apenas e só com a ideia de comprar calças, que era o que eu precisava mesmo, por isso a ideia do passeio veio mesmo a calhar. Vi algumas coisas giras, de facto, mas nada me tentou realmente a fugir da ideia de só comprar calças. Não sei se é por agora achar que tudo é um bocado caro e não haver saldos loucos, se é por estar tão focada nas coisas que quero fazer/comprar este ano que não caio na tentação, mas realmente não houve nada que me fizesse perder a cabeça. Cada vez mais a minha paciência para me enfiar em centros comerciais vai diminuindo. Dá-me preguiça de experimentar roupa, de estar nas filas, de andar tudo aos encontrões... Se calhar é mesmo porque agora tenho outras prioridades e já não gasto dinheiro em roupa só porque sim mas porque preciso. Não tenho prazer nenhum em comprar roupa, neste momento. Compro o que preciso, porque preciso e tenho meia dúzia de peças só. Estou a precisar de renovar o meu armário todo, mas não é prioridade. 

sábado, 12 de janeiro de 2019

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Messy house, messy life

A minha casa precisa de uma faxina daquelas de cima a baixo, com direito a lavar varandas, limpar vidros, as calhas das janelas, rodapés... Aquelas coisas que não fazemos semanalmente e que temos que nos obrigar a fazer de vez em quando. Este de vez em quando, parece-me, há-de ser este fim de semana. Fico sozinha em casa no sábado e acho que vou atacar isto com afinco. Preciso de arrumar armários outra vez, colocar algumas coisas noutros sítios, organizar melhor a minha vida. Já não posso fingir mais que está tudo bem, que até sinto o olho a tremer de nervos, perante esta desordem. Estivemos fora de casa no Natal e Ano Novo, só esta semana voltamos às rotinas, e sinto que tenho tudo all over the place, que nada está arrumado e limpo à minha maneira. Começamos a fazer coisas só para desenrascar, só desta vez, só porque agora não temos tempo, só dar um jeitinho e depois arrumamos melhor, e entretanto as coisas começam a deixar-me nervosa. Nada está como deveria estar. Até a porcaria do quarto-despensa começa a irritar-me, que embora esteja sempre a porta fechada, eu bem sei a bagunça que lá vai dentro. Preciso de vencer o frio e a preguiça e atirar-me de cabeça a estas limpezas! Mais alguém sente, de vez em quando, estas ganas de limpar a casa de cima a baixo e recomeçar, ou sou eu que sou doida?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

M., a control freak dos budgets

Eu, que nunca sequer fui boa a matemática ou com números, adoro um bom planeamento financeiro. Para a maioria das pessoas, ter que andar à volta daqueles números, consultar extratos, apontar despesas, planear orçamentos é um pesadelo. A mim relaxa-me. Eu gosto genuinamente de abrir o netbanco todos os dias, apontar as minhas despesas na app, calcular gastos, definir orçamentos. É apenas um aspeto da minha vida, mas dá-me uma sensação de controlo de tudo o resto. Pode parecer que é só avareza, que sou uma forreta, mas não tem nada a ver com isso. Controlo o meu dinheiro como controlo os livros que leio, as séries que vejo, entre outras coisas da minha vida que vou monitorizando diariamente. Eu sei, ao cêntimo, quanto gasto por mês em todas as despesas que vamos tendo. Eu aponto até aquela chiclete de 0,05€. Se, porventura, surge em conversa este tipo de assunto, as pessoas dizem logo que sou maluca, que sou forreta, que me dou ao trabalho destas contas minuciosas porque não tenho mais o que fazer. Ou, ao contrário, que elas não têm tempo de consultar o banco sequer semanalmente, que apontar despesas é um desperdício de tempo, que têm mais o que fazer. Cada um com os seus gostos e hábitos, claro, mas eu até ranjo os dentes só de ouvir estas coisas. Para mim é impensável viver assim.

Comecei a tomar estas notas e a fazer estas análises quando comecei o meu primeiro emprego. Ganhava à hora, era sempre incerto, e tinha que pagar os gastos associados à faculdade, dentista e o resto das coisas da minha vida, enquanto meti na cabeça que queria poupar. E assim foi. Comecei a pesquisar mais sobre finanças pessoais, aprendi umas coisas, comecei a testar e pronto, não parei mais. Começou a tornar-se um hábito bom, que agora não dispenso na minha vida. Se não fossem estes hábitos, não teria conseguido metade das coisas que já consegui ao longo destes anos. Um bom planeamento, no dinheiro como no resto da nossa vida, é tudo. Sem planos, sem metas, sem esta disciplina, nada se consegue. Faz-me muita impressão que as pessoas não saibam para onde vai o seu tão suado dinheiro todos os meses. Eu preciso da segurança da previsibilidade mensal dos meus gastos, associado ao facto de saber que tenho uma poupança para os imprevistos também. Já vi muita gente à minha volta fazer muita asneira com dinheiro e, assim que comecei a tomar consciência disso, apercebi-me que não queria ser igual. Então trabalhei para isso. Faço listas, faço orçamentos, defino objetivos, tenho sempre em mente o foco principal e durmo descansada todas as noites, sabendo que não faço coisas estúpidas com o pouco que tenho. Acho que é precisamente por perceber os resultados, por ter esta segurança, que tanto gosto de fazer estas contas e andar aqui de volta dos números. Eu adoro "fazer contas à vida".