segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Coisas que não sabem sobre mim VII

Já fui operada a uma hérnia. Era criança, mas lembro-me bem de tudo o que se passou naquele dia. Da operação resta uma cicatriz bem ténue no fundinho da barriga, perto da virilha direita. A parte boa disto tudo foram os quinze dias que estive sem ir à escola :) Na mudança de tempo sinto sempre um ligeira impressão naquela zona, mas fora isso nem me lembro que ali está uma cicatriz. Felizmente também é numa zona que anda sempre coberta, por isso nem passei pela fase da vergonha daquela marca no corpo. 
Tirando esta situação, nunca passei por nenhuma intervenção maior ou por outros problemas de saúde que não as típicas viroses e constipações. 

Dar nozes a quem não tem dentes

É certo e sabido que as coisas são sempre ao contrário. Quem quer, não pode e quem pode, não quer. 
Vejamos dois exemplos muito práticos.

O meu irmão anda desde Abril do ano passado a tirar a carta. Anda a tirar que é como quem diz, já que foi a umas cinco ou seis aulas de código no total, nunca pega em nenhum livro para estudar e faz testes para treinar quando o rei faz anos. Acho que tenho em casa o único gajo de 18 anos que não tem pressa em tirar carta e não sonha com carros e em conduzir. Vai tirar carta porque é quase obrigado, embora a sua data de conclusão seja um mistério para todos. Os meus pais é que insistiram em inscrevê-lo logo que atingiu a maioridade (ele precisa de carta para o seu trabalho em part-time) e estão a pagar tudo, senão duvido que até hoje ele se tivesse inscrito de livre vontade. Acho isto uma espécie de afronta às pessoas que querem tirar a carta e não têm dinheiro nem os pais podem pagar. Bem sei que vai haver sempre situações deste género e ninguém tem que se sentir na obrigação de fazer tal coisa só porque há outros que queriam fazer e não podem, mas parece-me uma coisa assim irónica desta vida que se verifiquem quase sempre estas situações. Quando as coisas são tidas de mão beijada, perdem a sua piada. 

Do mesmo modo, acho que qualquer pessoa que tira a carta adoraria que os pais lhe dessem um carro. Já nem digo um carro novo, mas um carrito para poder praticar, para não ter que pedir nenhum emprestado aos pais. Eu, pelo menos, ficaria muito contente se alguém me tivesse dado um carro, mesmo que fosse uma lata velha, quando eu tirei a carta, mas não tenho pais ricos. Depois acontece como com a minha prima - não sei se se lembram desta prima aqui, que já falei algumas vezes - que é filha única e cujos pais lhe quiseram dar um carro à escolha (dentro de um preço limite) quando tirou carta, mas a princesa não está interessada em ter um carrito mais velhinho, antes quer um BMW ou um Audi. Obviamente, não sendo os meus tios pessoas ricas, nunca lhe dariam um carro novo nem um dessas marcas, como dela exige. Oferecer-lhe a possibilidade de escolha de um carro logo que acabasse de tirar a carta já é uma grande coisa e ainda andaram a ver alguns e tudo, mas a princesa descartou sempre todas as hipóteses porque "não gosto da cor" ou "não gosto das jantes". Para verem o nível de futilidade e mania das grandezas... Sucede que os pais, ainda levados de uma boa vontade fenomenal depois de todos os foras que levaram, decidiram um dia (erradamente, reconheço) comprar um carrito que acharam ser uma boa oportunidade, na esperança de que se aparecessem com o carro em casa ela aceitaria e ficaria grata. Pobres coitados, gastaram dinheiro para ter mais um carro na garagem, já que a princesa recusa-se a ficar com ele ou com o que os pais já têm. 

E é esta a vida. Eu gostaria muito que os meus pais me tivessem pago a carta, mas paguei-a eu com dinheiro da bolsa de mérito que acumulei do secundário. E adoraria ter um carrito para eu praticar mais, para sair quando quisesse (talvez agora não tivesse tantos problemas em pegar num carro) mas ainda não tive quem mo oferecesse nem me apeteceu dispor desse dinheiro para já. Mais uma vez se confirma que "dá Deus nozes a quem não tem dentes". Vidas.  

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Cabelo | Braided Flower Crown

Três tranças o mais desfeitas e messy possível e alguns ganchos para prender. Simples. 



Aceitam-se sugestões

Se há coisa que eu gosto nisto dos blogs é de descobrir novas leituras. Não que as que tenho já não me consumam tempo suficiente, mas gosto sempre de ler mais blogs, conhecer mais vidas, estar a par de mais coisas. Gosto sobretudo de blogs pessoais, genuínos, com pessoas positivas e felizes; blogs onde me sinta bem, inspirada... Leio de tudo um pouco, na verdade, mas aprecio muito mais este tipo de leituras e pessoas, que para negativismos e falsidades já basta a vida lá de fora. 

Hoje já descobri um novo genuinamente bom e onde me senti bem logo na leitura do primeiro post, mas estou à procura de mais blogs para ler e seguir. Deixem-me sugestões dos vossos blogs preferidos para eu dar uma vista de olhos, se não se importam. Adoraria espreitar cada um deles.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Das boas notícias

Saber que a minha prima preferida está grávida!

Desde que ela foi morar com o namorado que estou ansiosa por esta notícia. É uma prima que merece tudo de bom na vida, uma pessoa trabalhadora, cumpridora, que fez sempre tudo muito "by the book" e que agora merece esta recompensa que tanto queria. Fiquei mesmo feliz quando soube da notícia, embora ainda seja cedo para fazer grandes festanças. Estou radiante, como se fosse uma notícia boa referente a mim. 

Tenho outros primos que já têm filhos, inclusivamente, e sempre fiquei contente por saber das novidades, mas com esta é diferente. Esta prima em particular é como se de uma irmã se tratasse, sinto mais que vou ser tia do que prima, de tão próximas que somos. Crescemos juntas e sempre mantivemos uma boa relação, apesar de não nos vermos a toda a hora. Sei que ela torce por mim tão genuinamente como eu torço por ela. Esta notícia deixou-me mesmo mesmo feliz!

Parece conversa de psicóloga, mas é verdade que tudo depende da vinculação

Cá em casa não há segredos. Certamente há coisas que uns não sabem sobre os outros, nem têm que saber porque é mesmo assim, há coisas que só a nós mesmos dizem respeito, mas não existem aquelas coisas que se mantêm totalmente em segredo porque o outro não pode mesmo saber. Por isso não entendo - nem quero nunca uma relação dessas para mim - aquelas relações de pais/filhos em que há segredos, em que se tem que mentir e esconder coisas. 

Os meus pais não sabem que tenho tatuagens, os meus pais não podem saber que namoro, os meus pais não podem saber que saio com aquela amiga, etc. Isso para mim está fora de questão. Não é o tipo de pais que tenho e, seguramente, não é o tipo de mãe que um dia quero ser. Sem dúvida que as pessoas precisam da sua individualidade, de terem as suas coisas que mais ninguém precisa de saber, toda a gente merece a sua privacidade. Mas acredito que numa verdadeira família deve haver o à vontade para se falar de tudo. Depois a escolha de contar ou não certas coisas depende de cada um, mas pelo menos gostaria que os meus filhos se sentissem confortáveis e seguros para virem ter comigo e falarem-me do que quer que seja que os atormenta, que tirem dúvidas, que desabafem, que me contem coisas importantes e felizes. Como filha, sempre senti que poderia recorrer aos meus pais para tudo, fosse sobre o que fosse. Nunca senti necessidade de esconder absolutamente nada dos meus pais porque sabia que, independentemente de ser algo bom ou mau, os meus pais iriam ouvir sem julgar e ajudar-me-iam se pudessem. Poderiam ralhar ou ficarem tristes com algumas situações, mas sabia que era esse também o papel deles. E é isso que eu sinto que falta quando ouço alguém dizer que esconde coisas dos pais. Porque se as pessoas sentem necessidade de manter segredo, de esconder e de mentir, é porque sabem que os pais iriam julgar, criticar, zangar-se, castigar... Não há uma relação segura e de confiança.

Também sinto que muitas vezes os filhos têm necessidade de esconder certas coisas porque não são capazes de se afirmarem perante os pais. Obviamente não falo de crianças ou adolescentes, porque quando estamos dependentes dos pais e ainda somos pequenos, temos mais é que fazer o que nos mandam, mas falo de pessoas adultas. Não seria capaz de desrespeitar os meus pais, mas também sou segura o suficiente para fazer valer as minhas vontades, independentemente da aprovação deles. Não é porque os meus pais não gostam de tatuagens que eu esconderia a que tenho ou deixaria de namorar com alguém porque os meus pais não gostam. Estamos a falar de pessoas adultas e independentes que continuam a guardar dos pais estas coisas aparentemente insignificantes. Tenho uma amiga que morre de medo que o pai descubra as mil tatuagens que tem (e, já agora, que pais são estes que estão tão a leste que nem vêem tatuagens em sítios visíveis e até brincos e piercings?). Há pessoas que fumaram a vida toda e nunca contaram aos pais. Sei lá, coisas assim, inofensivas. Os pais também são pessoas, também fazem coisas que os pais deles não gostam, também têm vícios e gostos e vontades. Os filhos são pessoas como outras, há que entender que um dia terão os seus próprios vícios e gostos e vontades. Podem até não concordar, mas têm que aceitar. Faz parte da vida, das relações humanas. 

Espero um dia ser mãe e ser suficientemente aberta às pessoas em que os meus filhos se tornem, ter o autocontrolo para reprimir o instinto de berrar e julgar e dar duas chapadonas para deixarem de fazer merdas estúpidas, para que nunca haja mentiras nem segredos na nossa relação. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017